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Espírito Santo, 4 de Setembro de 2010

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Apiacá: o ecletismo e as misturas de uma cidade do interior

Por: Marcelo Pedrosa Pereira

Publicado em 22 de Janeiro de 2010

Foto: Paulo Fontoura
O município de Apiacá se encontra bem no limite sul entre o Espírito Santo e o estado do Rio de Janeiro. É um dos municípios que tiveram sua formação inicial como distrito no antigo município de São Pedro do Itabapoana, atualmente Sítio Histórico e distrito de Mimoso do Sul.

Criado em 16 de agosto de 1958 e instalado em 29 de janeiro do ano seguinte juntamente com sua emancipação política, Apiacá possui as características de uma cidade pacata do interior, com a igreja matriz em frente à prefeitura e uma praça logo perto – que a propósito é muito bonita, cuja padroeira Senhora Sant´Ana, avó do menino Jesus, sempre a todos ampara.

Igreja Matriz de Apiacá.

Com uma pequena população de aproximadamente 8 mil habitantes, o município vive basicamente da renda do funcionalismo público e de pequenas propriedades agrárias produtoras de café. Assim como praticamente toda região sul capixaba, a população apiacaense é formada basicamente por imigrantes mineiros vindos da região da zona da mata, fluminenses da região norte do estado do Rio de Janeiro e por aqueles que passaram a se chamar propriamente de capixabas, vindos de outras localidades do Espírito Santo.

Foto antiga da cidade.

Esta miscigenação fez com que a cidade possuísse um clima que inspira paz e tranquilidade, onde ainda nos dias de hoje se pode sentar num dos bancos de uma de suas praças e ler um bom jornal, ou ainda “ganhar tempo” num bom “dedo de prosa” em um dos vários botecos do município cuja cultura bucólica propicia um ar boêmio que relembra as cidadezinhas mineiras.

Dentre os pontos altos de festejo do município estão a famosa festa de julho em louvor à padroeira Senhora Sant´Ana e seu tradicional carnaval.

A festa de julho é sempre dividida em duas partes: a social e a religiosa, que se encerram sempre no dia 26 de julho, dia da padroeira. A festa social, assim como a religiosa, atrai muita gente, principalmente seus filhos que por diferentes razões precisaram sair do município para outras terras. É um momento propício de reencontro e confraternização. Isto se torna bem visível no dia do tradicional “Baile do Apiacaense Ausente”, quando se homenageia um conterrâneo que não mora mais no município.

A festividade social sempre conta com um grande número de barracas de camelôs que, de forma organizada, já fazem parte das festividades da padroeira, assim como algumas guloseimas que se tornaram típicas como o churros e a maçã do amor.

A festividade religiosa é sempre muito alegre e comemorativa de forma que a igreja em todos os nove dias da novena se encontra lotada de fiéis. Para cada dia se convida um padre de fora da paróquia para prestigiar a comunidade. Ao final de cada dia de celebração os fiéis saem em procissão com carro andor para que a santa padroeira possa visitar a casa de uma família diferente. E no dia seguinte antes da celebração a imagem é retirada também em procissão da casa da família e levada para a matriz sempre ao som de uma banda de música, num rito de devoção e muita fé.

Apiacá sempre fora famosa também por seus carnavais. Costuma-se dizer que é o melhor carnaval da região. Arrastado por figuras já pertencentes ao folclore do município, tais como Rubens Papudo, José Maria e Tacinho da Padaria, desde tempos imemoráveis que o tradicional “Bloco do Silêncio ou Bloco das Piranhas” arrasta o povo com homens vestidos de mulher atrás da banda de música tocando marchinhas de carnaval.

Atualmente, no ritmo das mudanças culturais e movido de influência da cultura baiana no estado, o carnaval apiacaense também passou a conciliar o trio elétrico com os blocos, de forma que houvesse espaço para todos. Primeiro o bloco percorre a cidade saindo do centro e depois retorna com o trio elétrico ao som do axé music.

Enfim, Apiacá se tornou uma cidade onde o ecletismo predomina, havendo espaço para todas as formas de manifestações sejam religiosas, sejam profanas.

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Marcelo Pedrosa Pereira
Marcelo Pedrosa Pereira

Comunicador Social Jornalista, Historiador Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio ...

Comentários

rodrigo silva - 23/01/2010 19:45

rodrigo silva

apiacá porra!!!! so faltou falar dos piratas kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ana Paula - 10/02/2010 08:13

Ana Paula

Oi Rodrigo!
Melhor carnaval da minha vida Apiacá/2008. Lá fiz amigos enxquecíveissssssssss

Ana Paula - 10/02/2010 08:15

Ana Paula

Oi Rodrigo!
Melhor carnaval da minha vida Apiacá/2008. Lá fiz amigos inesquecíveissssssssssssss

Lia Pedrosa - 10/03/2010 21:17

Lia Pedrosa

Parabéns Marcelo pela sua reportagem e a publicação do seu livro
"SÃO PEDRO DO ITABAPOANA: PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E IDENTIDADE SUL CAPIXABA". DEUS TE ABENÇÕE E GUARDE.

Lia Pedrosa - 10/03/2010 21:23

Lia Pedrosa

MARCELO,Apiacá te agradece pela reportagem. Aqui o carnaval é tudo de bom.

Lia Pedrosa - 10/03/2010 21:37

Lia Pedrosa

MARCELO, o fruto dessa conquista do lançamento do seu primeiro livro foi o resgate da história do nosso povo Sul Capixaba. Parabéns! Beto Rangel.

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