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Seja na culinária, na arquitetura, nos móveis e até mesmo no calçamento irregular e bem preservado, tudo remete ao passado. Além da rua principal em pé de moleque, São Pedro possui mais de 41 imóveis tombados pelo Conselho Estadual de Cultura desde a década de 1980.
O distrito dispõe de atrativos turísticos importantes, como o museu e o antiquário. Implantado em 1998, o museu possui grande acervo de bens móveis e documentos relacionados ao sítio histórico e ao período cafeeiro. Já o antiquário São Miguel comercializa objetos, alguns garimpados no próprio município, mas a maioria vem de fora, segundo garante o responsável Miguel Balbino.
Mesmo tendo sido tombado em 1986, São Pedro do Itabapoana permaneceu abandonado e só em 1998 foi iniciado um processo de revitalização a partir da gestão do patrimônio cultural.
A população não tem muitas alternativas de renda e, para sobreviver, algumas famílias acabam comercializando pertences de seus antepassados, mobílias que fazem parte da história do local. O casario com soleiras de pedra e ombreiras em madeira de lei vai ficando cada vez mais vazio.
Especialistas em gestão do patrimônio alertam para a necessidade de promover uma conscientização para a preservação, a fim de evitar que a riqueza patrimonial e cultural se perca. A comunidade tem o desafio de aprender a lidar com o valor que possui.
“É muito difícil desenvolver projetos de preservação junto à comunidade. Não existe a preocupação com o ônus de ser um sítio histórico, mas apenas com o bônus”, analisa o professor de Turismo do Centro Universitário São Camilo-ES, Genildo Hautequestt Coelho Filho.

Segundo Genildo, os moradores de São Pedro têm dificuldade em aceitar que o lugar é patrimônio cultural. O professor ressalta que a administração municipal investe em São Pedro, mas a falta de consciência em relação ao patrimônio dificulta o processo de gestão.
Antiquário e Museu de São Pedro do Itabapoana.
Administração municipal vê amadurecimento em relação à preservação
Para a diretora de Turismo da prefeitura de Mimoso do Sul, Érica Rocha, os moradores têm consciência sim, do patrimônio que possuem. “Mas como toda regra tem sua exceção, nesse caso não é diferente, e algumas pessoas realmente não se preocupam em preservar”, reconhece.
Para Érica, apenas uma minoria ainda não tem consciência sobre a importância da preservação do patrimônio. “Sempre que tomamos conhecimento de algum descaso com o sítio histórico, entramos em contato com a Secretaria Estadual de Cultura e o problema é rapidamente resolvido”, afirma.
De acordo com informações da prefeitura de Mimoso do Sul, os moradores puderam desenvolver ainda mais esse espírito de preservação depois do sucesso do Festival de Inverno de Sanfona e Viola, realizado anualmente no lugarejo há uma década.
Mesmo não existindo um fluxo regular de turismo para essa região, é durante o Festival da Sanfona e da Viola, promovido pela Prefeitura de Mimoso, que São Pedro ganha visibilidade e recebe turistas de todas as partes do país. Músicos amadores e consagrados se unem em concerto ao ar livre. Entretanto, o festival trouxe alguns pontos negativos para a localidade, como o crescimento urbano desordenado.
O desafio em São Pedro é encontrar uma alternativa de gestão que concilie a preservação do patrimônio cultural com a necessidade de geração de trabalho e renda para os habitantes do lugar.
Cronologia de São Pedro
Como Chegar
De carro, saindo de Vitória, deve-se seguir pela BR-101 Sul até o trevo na altura do km 360, depois do lugarejo de Bandeira. Dali são mais 12 quilômetros de asfalto até Mimoso do Sul. São Pedro fica a 25 Km de distância de Mimoso.
Onde Ir
Fazendas: O Município de Mimoso do Sul preserva um conjunto de 18 fazendas do ciclo cafeeiro, as quais ainda guardam acervo de documentos e mobiliário de época.
Museu: Possui grande acervo de bens móveis e documentos relacionados ao Sítio Histórico.
Antiquário: Comercializa bens móveis e objetos utilitários garimpados no município.
Projeto DIVAS: Comercializa roupas com a “cara” de São Pedro. Todas produzidas por moradoras locais, a grife foi inaugurada em 2006.
Capela: Construção das primeiras décadas do século XX, contrasta com as casas do entorno, todas com arquitetura do final do século XIX.
Orquestra de Sanfona e Viola: Um dos principais atrativos do local. É muito comum encontrar rodas de viola em São Pedro.
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