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Antes de começar essa resenha vou fazer uma pergunta ao nobre leitor, o que aconteceu com Nicolas Cage? O cara já esteve presente em projetos incríveis e hoje em dia se destrói a cada bomba que lança em Hollywood. Felizmente hoje tirarei nosso tempo para falar de uma das obras primas da carreira desse tão irregular ator. Dirigido por Spike Jonze e com o roteiro de Charlie Kaufman é uma obra prima dessa genial dupla do cinema.
O filme já começa com uma grande inovação pois Kaufman se incluiu no filme e junto dele incluiu um irmão gêmeo fictício, Donald, ambos interpretados por Nicolas Cage. Em certo momento do filme eles se encontram num set de filmagem do último filme do Kaufman, Quero ser John Malkovic, primeiro filme da carreira do Spike Jonze… É muito legal isso e o melhor que o filme explica direitinho o porquê dele estar ali.
O filme conta a história do próprio Kaufman escrevendo uma adaptação para o cinema do livro “O Ladrão de Orquídeas” de Susan Orleans (Meryl Streep), uma jornalista novaiorquina que também existe na vida real. O filme também mostra o processo de escrita de tal livro e como Orleans conhece John Laroche (Chris Cooper), o tal ‘ladrão’ que na verdade é um biólogo um pouco não-convencional. É simplesmente genial como Kaufman e Jonze pegaram uma coisa real, fizeram uma adaptação e ainda inventaram uma série de coisas e transformaram tudo isso num filme de excelente qualidade que concorreu à 4 Oscars no ano de seu lançamento.
O filme inteiro conta as histórias já citadas de uma forma alucinante, você se depara com um processo de criação de um roteiro enquanto se perde com a vida desesperada de Charlie Kaufman que sente inveja de seu próprio irmão (que, apesar de não possuir nenhum talento verdadeiro, quer se tornar um roteirista também), é apaixonado por Amelia Kavan (Cara Seymour) e além de tudo precisa escrever um roteiro para entregar para Valerie Thomas (Tilda Swinton) que representa os interesses da Orleans. O problema é que Kaufman é realmente um gênio, inegável, e não quer lançar apenas mais um filme e tenta extrair do livro uma beleza difícil de se retratar, tornar flores tão interessantes a ponto de serem o tema principal de um filme.
Eu sei que já falei isso mas é impressionante a genialidade do Kaufman, parece que ele realmente mergulhou em um mar de criatividade e começou a criar, e criar, e criar e criou esse filme magnífico. O destaque vai para as nomeações ao Oscar (melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado) tendo vencido o de melhor ator coadjuvante (Cooper). Mas um destaque ainda mais específico vai para essa nomeação do roteiro adaptado que foi para Charlie Kaufman e… seu irmão Donald. Tendo sido a primeira vez que um personagem fictício foi nomeado ao Oscar, incrível não? Mas então, imperdível, vejam MESMO.
Estudante de Economia na Universidade Federal do Espírito Santo e um dos responsáveis pelo blog O Cara da Locadora
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